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Hepatite e Gravidez
Dra. Naomy Helena Cesar
Vizeu Wagner
Médica Assistente
do Centro de Imunização Santa Joana |
Dentre as
Hepatites virais conhecidas só dispomos de vacina para 2
tipos: a Hepatite A e a B.
A Hepatite B é uma doença que causa uma grande variedade de
sintomas, que vão desde um leve quadro intestinal e sintomas
inespecíficos, até formas ictéricas clássicas. A principal
complicação da doença se relaciona com a não eliminação
viral após o quadro agudo, tornando o paciente um portador
crônico do vírus e potencial transmissor, que muitas vezes
evolui com hepatite crônica, cirrose hepática e
hepatocarcinoma.
A infecção
crônica pelo vírus da Hepatite B ocorre em cerca de 90% das
crianças que o adquiriram por transmissão vertical, sendo
maior a chance de uma criança infectada se tornar portadora
crônica quanto menor a sua idade.
A
transmissão perinatal se dá através do parto, com o contato
do sangue materno. É fundamental que se conheça o estado
sorológico da gestante em relação à Hepatite B, pois no caso
de mães positivas, o recém-nascido recebe uma profilaxia
pós-exposição logo após o nascimento, nas primeiras horas de
vida.
A sorologia materna deve ser solicitada no início do
pré-natal em cada gravidez (para as não imunes) e deverá ser
repetida próximo ao parto, nos casos de gestantes
suscetíveis de risco: usuárias de drogas, doenças
sexualmente transmissíveis concomitantes, transfusões e
outros.
A transmissão vertical pode ser prevenida em aproximadamente
95% dos casos de mães HBsAg positivas, cujos filhos recebem
imediatamente após o nascimento, a vacina e a imunoglobulina
específica contra a Hepatite B (HBIG). As doses subseqüentes
da vacina são dadas no 1º e 6º mês de vida. A Academia
Americana de Pediatria e o ACIP, bem como a Sociedade
Brasileira de Pediatria, recomendam que a vacina seja
realizada logo ao nascimento, preferencialmente dentro da
maternidade para todas as crianças.
A Hepatite
A, apesar de ser considerada uma doença benigna, pelo fato
de não evoluir para formas crônicas e portanto não estar
relacionada à cirrose hepática e ao hepatocarcinoma, pode
apresentar quadro clínico sintomático mais intenso no
adulto, com icterícia, náuseas, vômitos, mal-estar e febre,
na maioria dos casos. Seu tratamento é sintomático. Existem
pelo menos três importantes razões para evitar-se a Hepatite
A:
a) Impacto
da doença sobre o paciente e seus familiares.
b) Falta no período escolar e/ou absenteísmo do trabaho.
c) Gastos com medicamentos, consultas médicas e em exames
complementares.
Portanto em
qualquer oportunidade, solicite de suas pacientes sorologia
para Hepatite A (IgM e IgG) e Hepatite B (HBsAg, Anti HBsAg,
HBeAg, Anti HBeAg, Anti HBc total), para orientá-la em
relação à prevenção destas doenças através de vacina, antes
mesmo de uma gestação. O esquema recomendado de imunização
contra Hepatite A e B conjugadas é de 3 doses com intervalos
de 0, 30 e 180 dias. Apesar de não apresentar riscos para
gestantes, aconselha-se a esperar o nascimento do bebê e
iniciar ou completar o esquema vacinal em seguida.
Como
interpretar as sorologias ?
Hepatite A:
Hepatite B:
-
HBsAg positivo = infecção aguda ou crônica
-
Anti HBsAg positivo = infecção pregressa ou é
vacinado
-
HBeAg positivo = infecção com alto risco de
contaminação
-
Anti HBeAg positivo = portadores do HBsAg com baixo
risco de contaminação
-
Anti HBcAg positivo = identifica infecção aguda ou
passada, não presente nos vacinados
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